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Com mais de 300 títulos e 'amparo divino', jovem de Sorocaba troca a carteira assinada pela rima

Com mais de 300 títulos, jovem de Sorocaba troca emprego formal pela rima Rimas, Jesus Cristo e Rock 'n' Roll". O lema que destoa do que muitos habitualmente associam ao universo do hip-hop é a assinatura de Ayron de Conti Gonçalves, o Mano Ayron. Nascido e criado em Sorocaba (SP), o jovem de 22 anos tomou uma decisão que muitos considerariam um pouco ousada: pediu demissão do emprego com carteira assinada (CLT) no setor de produção de alimentos para viver exclusivamente do freestyle,


Com mais de 300 títulos, jovem de Sorocaba troca emprego formal pela rima Rimas, Jesus Cristo e Rock 'n' Roll". O lema que destoa do que muitos habitualmente associam ao universo do hip-hop é a assinatura de Ayron de Conti Gonçalves, o Mano Ayron. Nascido e criado em Sorocaba (SP), o jovem de 22 anos tomou uma decisão que muitos considerariam um pouco ousada: pediu demissão do emprego com carteira assinada (CLT) no setor de produção de alimentos para viver exclusivamente do freestyle, o improviso das batalhas de rima. A rima entrou na vida de Mano Ayron quando ele tinha apenas oito anos de idade. Aos 15, ele passou a frequentar os duelos nas praças da cidade, onde decidiu que transformaria os versos em profissão. Hoje, Ayron acumula um currículo com cerca de 370 títulos de batalhas, incluindo o Regional de 2023, o aniversário da tradicional Batalha do Ana Rosa (SP) e as etapas das famosas Batalhas da Aldeia e do Coliseu. O MC contou ao g1 que a virada de chave para deixar o mercado formal de trabalho não foi amparada em planilhas ou garantias financeiras, mas em um pilar estritamente espiritual. A ideia de deixar o emprego CLT para focar na rima veio única e exclusivamente da fé. A neurose e a incerteza de que a gente vai ter dinheiro necessário para as contas do mês foi o principal desafio no início, conta o jovem. Em uma batalha de rima, Mano Ayron aparece à esquerda Arquivo Pessoal Fé na roda de rima Diferente de estereótipos que costumam afastar o rap da religiosidade, Ayron trata sua espiritualidade de forma aberta. Para o MC, a fé não se prende a dogmas institucionais, mas funciona como a fundação de sua caminhada artística. As pessoas costumam vincular Deus a uma religião. Deus não está na religião, está dentro de nós. A fé é Deus. Jesus Cristo foi apenas o cara que mais me deixou claro de que forma estar mais perto de Deus, reflete o jovem sorocabano. Paralelamente às disputas de improviso nos palcos e praças, o MC viu sua audiência se expandir para além dos limites do bairro Éden. No Instagram, onde já ultrapassa a marca de 60 mil seguidores, ele usa a visibilidade impulsionada pelo seu produtor para abordar temas que vão além da competição, como a preservação do bem-estar diário. Procuro sempre conscientizar sobre saúde mental, física e espiritual. Acho que as pessoas, por conta das dificuldades da vida mesmo, acabam deixando uma dessas de lado, e isso é preocupante. Mas nunca deixo de ressaltar a importância da arte na minha vida, ressalta Ayron. LEIA MAIS: De Roberto Carlos a trilhas da TV: baterista autista supera limites e faz carreira na música Palhaços, magos e bruxas? Conheça a simbologia por trás das alcunhas que dominam o funk Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno Das praças às telas: como funcionam as batalhas As batalhas de rima nasceram no coração do hip-hop, na década de 1970, organizadas em rodas de rua e praças públicas como manifestação de arte espontânea e reflexão social. O princípio é direto: dois MCs se enfrentam em rounds, improvisando versos onde o objetivo principal é rimar no compasso da batida e contra-atacar os argumentos do oponente em tempo real. Na dinâmica das rodas culturais, não há separação por divisões físicas ou categorias formais. Normalmente é uma roda freestyle. Ali na hora da batalha nós não diferenciamos por idade, gênero, peso nem nada físico. O que nos diferencia um do outro é o nível de rima, explica o MC. Embora o movimento de rua seja a base histórica do formato, o avanço nas redes sociais e das plataformas de vídeos nos últimos anos transformou batalhas locais em fenômenos de audiência. Transmissões ao vivo, cortes de rimas marcantes e duelos virais aproximaram o estilo de gerações mais jovens e garantiram rentabilidade para os artistas. Para Mano Ayron, o equilíbrio entre a rotina de treinos, o palco e o engajamento digital faz parte da criação de redes genuínas. Ele destacou que estar no palco é confortante e que saber que há pessoas que amam a arte, o hip-hop, e sabem usar isso para chegar a mais pessoas é muito incrível. Quando você é um artista, é natural que mais pessoas se inspirem em você e queiram te acompanhar mais. Aprender a administrar a troca de ideia com o seu respectivo público, seja sobre o seu trabalho, ou não, é sobre criar conexões genuínas e reais, declara. Com mais de 300 títulos e 'amparo divino', jovem de Sorocaba troca a carteira assinada pela rima Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Eric Mantuan Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Fonte: g1.globo.com

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